terça-feira, 31 de janeiro de 2012

SINTEMAR, UMA NOVA ERA PARA O TRABALHADOR ALPINOPOLENSE

Após o fim da II Guerra e até a consolidação do Golpe Militar de 1964, caracterizou-se o chamado intervalo democrático entre a ditadura Getulista e a Militar. Justamente neste período o movimento sindical brasileiro viveu a fase áurea de suas atividades. No período de 61 a 63, lideranças sindicais movidas pela crença na participação política dos trabalhadores por meio da organização sindical, se aproximaram das forças partidárias, apegando-se à estrutura oficial e à equipe governamental, de modo a reduzir o trabalho junto às bases, consistindo mais em um organismo meramente político do que num organismo propriamente sindical. Até o final dos anos 80 e mesmo no início dos 90, já com algumas dificuldades, o movimento sindical brasileiro cumpriu o papel de irradiador de conquistas sociais por todo o país. Metalúrgicos, bancários, petroleiros e funcionários públicos foram setores profissionais que marcaram época. Hoje, sua situação mudou, e mudou pra muito pior. A visão da decadência do sindicalismo brasileiro vem amparada por vários elementos, como a perda de conquistas importantes com a precarização do trabalho imposta pela força dos grandes capitalistas no Brasil.
   Alpinópolis pouco (ou quase nada) participou dessa história, e aqui havia grande necessidade de superar essa falha. É preciso passar das idéias luminosas para a concretização de uma entidade verdadeiramente democrática. Isso exigirá não só grande disposição para buscar soluções negociadas mas o compromisso de sintonizar um advento sindical e trabalhista com as novas exigências do desenvolvimento econômico e social de nosso eólico arraial. Falamos aqui do SINTEMAR - Sindicato dos Trabalhadores na Extração e Transformação Mineral de Alpinópolis e Região – que foi oficialmente lançado nesse dia 27 de janeiro de 2012.
   Até então houve pouca ação por parte de todos e uma imensa falta de representação do trabalhador, o que constituiu uma mancha na história do extrativismo da cidade, ressaltando que sempre foi possível observar certa resistência dos empresários ao associativismo dos trabalhadores.
Um dos principais problemas desses trabalhadores é a doença respiratória pela poeira de sílica que, pelo que consta, afeta 43 pessoas em Alpinópolis. O foco de silicose é relevante, não pode ser tolerado, e esperamos que a chegada do SINTEMAR venha sanar essa omissão negligente também dos órgãos públicos que, ao contrário dos empresários, tem conhecimento pleno de causa e se movem aquém de suas responsabilidades. Sabemos que esse é um problema conjunto e que o principal responsável seria o próprio governo, que não instrui, não fiscaliza e chega o mais das vezes com truculência e arrogância intempestiva sobre os donos das pedreiras. Entendemos que deveria haver fiscalização abrangente (sobre todos os produtores) por parte do SUS, do INSS, do Ministério do Trabalho, do Ministério Público, didática no início, de cobrança efetiva. O que podemos testemunhar é um funcionamento sistêmico que deixa a desejar, da parte principalmente dos órgãos públicos.
   Que nossos trabalhadores venham, de fato, tomar posse de seus direitos garantidos pelo art 8º da Carta Magna que reza de forma inequívoca que é livre a associação profissional ou sindical. Trabalhador, que você seja inspirado pelo Presidente Lula, que militou por tanto tempo nas sendas dos sindicatos, quando disse certa feita essas sábias palavras: “Precisamos mudar as relações de força no mundo. Não podemos ser observadores passivos de decisões que afetam diretamente o nosso destino.” Avante guerreiros do SINTEMAR, Alpinópolis precisa dessa força!

Texto de Ramiro Faria

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